Trinta e três


A luta perenemente inglória: mulheres X balança

Hoje me pesei e vi que quebrei a barreira jamais alcançada em 33+5 anos de vida dos 53 quilos. Tudo bem, descontemos o peso da calça jeans, da meia elástica e do tênis. Devo estar pesando no mínimo 51,5. Digam o que quiserem, o pneu de Caloi na minha cintura e as calças ligeiramente apertadas estão me fazendo sentir uma baleinha. O resto do corpo tá bom, o problema é que a gordura nunca vai para o lugar certo. As coxas continuam finas, continua cabendo um dicionário entre elas. O que me faz afirmar sem constrangimentos que eu faria, sim, uma mini-lipo se tivesse dinheiro. Ou, no mínimo, uma redistribuição das células adiposas. Muita falta de senso de humor da natureza fazer isso com a gente.



Escrito por Cris às 15h52
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Atendendo a pedidos

Seguindo a boa sugestão da Marina, aqui vai o link pro vídeo da "puta falta de sacanagem". Tudo dura tão pouco hoje que acho que quem ler este blog em junho já não se lembrará mais do sucesso instantâneo alcançado por esta expressão do universo emo. Aliás, emo? O que é emo? :)

http://www.youtube.com/watch?v=MsD77anCeOA



Escrito por Cris às 15h46
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"Puta falta de sacanagem"

Estou quase me sentindo triste porque a Veja não tinha razão. Se o Google Tradutor prestasse pra alguma coisa eu não tinha perdido a Virada Cultural e o Congresso de Leigos no sábado passado, não tinha ficado as últimas três madrugadas trabalhando, não teria ido dormir só das 7h às 9h de hj, não precisaria saber o que é "the feeders to 208Y/120 volt distribution and branch circuit panels serving any 120-volt circuits should have neutral sized equal to the current ratings of the phase conductors" muito menos teria três colegas me ajudando a xingar a tradução de "encosto", "capeta chupando manga", "tradução dos infernos" e por aí vai. Trabalho cabuloso, mau pagamento, prazo estourado, qualidade de vida zero nos últimos dias. Resumindo: uma "puta falta de sacanagem", pra reproduzir o último bordão da moda. Se eu tivesse Twitter ia xingar muito. Mais ainda do que já xinguei.



Escrito por Cris às 21h05
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Por que o visual de inverno tem que ser tão chocho? O que as roupas de frio têm de elegância no corte elas têm mesmice nas cores. Não precisa ter a vibração das cores de verão, concordo, mas por que resumir tudo a cinza, preto e bege (e de vez em quando um vermelho)?

Por falar em visual, é feio demais o visu deste blog. Deixem só eu terminar a tradução que está branqueando meus cabelos e tem de ser entregue até segunda ao meio-dia e cuidarei deste bichinho aqui. Chega de abandono.



Escrito por Cris às 20h48
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Google tradutor II

Agora que me lembrei que tenho blog e me empolguei com o assunto do post anterior, acabei me dando conta de mais um detalhe engraçado (ou tragicômico) da questão. Apesar de a Veja ter louvado o fato de o Google Tradutor conseguir traduzir linguagem informal (ãh?) ela ignorou que as abreviações comuns da escrita virtual (vc, mto, abs) não são traduzidas por ele, que ficam no original. O que poderia gerar um mal-entendido do caramba caso um falante nativo do inglês jogasse no tradutor um email meu, ou de qualquer pessoa, escrito em português e terminado com "bjs", como foi o caso do que coloquei aqui. Na melhor das hipóteses o recebedor do dito cujo ficaria excitado com a possibilidade; na pior, confundiria minha profissão com outra mais picante e reforçaria o estereótipo das mulheres brasileiras prontas a fazer sexo com qualquer estrangeiro por pura liberalidade. Quem conhece expressões sexuais em inglês pode imaginar qual delas começa com as iniciais B e J... Hmm, você não conhece? Tá bom, eu conto: "blow job". Não sabe o que significa? Procura no Google Tradutor. Pra isso ele deve funcionar.



Escrito por Cris às 00h05
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Google tradutor

Tinha que ser ela de novo: a revista Veja, aquele "pasquim nojento" nas palavras de meu amigo meio ator, meio tradutor e bastante nerd, Kemel Zaidan. Há tempos não só não a leio como a boicoto ativamente. Acontece que na semana passada a sua matéria de capa me atingia em cheio profissionalmente, então fui obrigada a pedir a "maledetta" emprestada para ler a supracitada matéria de capa. Que a leitura ia reforçar todos os meus (maus) conceitos já há muito provados e comprovados eu já sabia. Só não esperava aprender uma coisa nova com a experiência: não se deve ler Veja antes de dormir. Mandou minha qualidade de sono pro beleléu (será que a reforma ortográfica tb atinge gírias de mais de 30 anos? Seria "beleleu"?).

A indignação começou na própria capa: afeitos que eles são à boa pesquisa (ha!), já começam errando a grafia grega do verbo "falar", de acordo com a única pessoa que fala grego aqui em casa (meu pai, quem mais poderia ser?). Continuaram repetindo o velho bordão "tradutore, tradittore" (tradutor, traidor) na matéria, ignorando a frase de Saramago segundo a qual "são os autores que fazem as literaturas nacionais, mas são os tradutores que fazem a literatura universal". É a frase que uso como assinatura de meu email profissional, por sinal. Pois o que seria de Dostoiévski e Tolstói não fossem os tradutores que tornaram suas obras-primas conhecidas do restante do mundo? Eu tb preferia aprender russo e lê-los no original, mas confesso que tentei e não consegui. Meus 3 semestres de Língua Russa não deram nem pro cheiro.

Continuando, a Veja chega a cogitar que certos retumbantes fracassos diplomáticos tenham ocorrido por causa de maus tradutores. Não duvido, mas o problema é a solução que eles apontam: o desenvolvimento do tradutor eletrônico!!! Uau! Alguém aí se lembrou do Titanic e de seu fantástico naufrágio devido à velha e sempre errada mania do homem de confiar em excesso na tecnologia em vez de, por exemplo, contratar um bom tradutor? Mas o melhor é o seguinte: classificaram o atual trabalho de tradução do Google Tradutor entre "satisfatório" e "bom". Aí, só por curiosidade, resolvi jogar no Google um email mto simples que mandei hoje e traduzir do português para o inglês. Seguem o original e a obra-prima, digna de Joel Santana. Omiti nomes por questão de privacidade

"Td bem? Espero que sim. Na verdade estou preocupada com vc! Não recebemos nenhum email seu e o X não conseguiu falar com vc hj no almoço, o que me deixou preocupadinha. Qdo puder por favor nos retorne com notícias suas em primeiro lugar e do site em segundo.:)

Entendemos que vc está super ocupado, mas nós dois tb não podemos fazer mta coisa até o site estar pronto, visto que mto da nossa divulgação é feita online. Se puder depois passar as datas em que cada fase ficará pronta agradecemos.

Bjs e espero que vc esteja bem,"


"Td bem? I hope so. Actually I'm worried about you! We have not received any e-mail her and X could not speak with you at lunch hj, which left me preocupadinha. Qdo can we please return to your news first and the second site.:)

We understand that you're super busy, but we can not do two tb mta thing until the site is ready, since mto our disclosure is made online. If you can then move the dates on which each phase will be ready thanks.

Bjs and hope you're well,"

 

Primoroso, não?


Pra finalizar, um último conselho sobre o principal meio de comunicação utilizado por Satã no inferno, vulgo revista Veja: se alguém de vocês tem um pai de 79 anos que trabalha com meio ambiente, não mostrem a ele NENHUMA matéria sobre esse assunto, especialmente durante uma refeição. Vocês correm o risco de praticamente causar uma embolia no coitado. Foi o que quase aconteceu qdo ele viu alguns "dados" (tão bem pesquisados quanto o verbo "falar" em grego) sobre as reservas ambientais no Brasil.



Escrito por Cris às 16h21
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Hoje fiz uma busca pelo meu próprio nome no Google. Senti que ou era o cúmulo do egocentrismo ou o cúmulo da idiotice -- os quais, convenhamos são quase sinônimos -- mas fui em frente assim mesmo. O pior de tudo foi o resultado da busca: 1.280.000 ocorrências. Vai entender...



Escrito por Cris às 01h25
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Cinema e família

A vida é estranha. O cinema é estranho. A combinação do cinema com a minha vida, então, é estranhíssima. Foi preciso uma dessas pra resolver reativar o "defunto de quatro dias que já cheira mal" (vd. os Evangelhos, episódio da ressurreição de Lázaro) que é este blog.

Há duas semanas fui ver o belo Paris, de Cedric Klapisch, como parte do Panorama do Cinema Francês em São Paulo, seguido de um bate-papo com o diretor. Agradeci a ele por centrar seu filme em uma relação entre irmãos, coisa não muito explorada pelo cinema e muitas vezes também relegada a segundo plano na vida. Não devia ser assim nem em um nem em outro. Os irmãos circences que o digam: só esta relação de confiança inquebrantável permite que tantos irmãos, muitas vezes gêmeos, façam os números mais arriscados do mundo do circo em duplas. Só no Cirque du Soleil são uns três pares de irmãos que se arriscam nos trapézios e acrobacias no Saltimbanco, seu espetáculo mais antigo, sem medo de serem traídos pelos pares em seus mortais.

Duas semanas e duas cirurgias da irmã depois, eis que entro no filme "errado" no cine HSBC Belas Artes para ver outra relação intensa entre irmãs, transbordando de sacrifícios, doação e até de falta de limites de até onde vai a vida de uma e começa a vida da outra. Se o horário publicado pelo Guia da Folha estivesse certo eu teria visto A Partida, mas quiseram a vida, o cinema e a estranheza que eu visse o delicado Caramelo, filme muito feminino da belíssima Nadine Labaki, que não bastasse ser uma diretora sensível é uma boa atriz e me fez invejar seu rosto o filme todo de tão linda. De Paris ao Líbano no cinema, passando pela vida real em São Paulo, as relações fraternas vão tomando, no sem-alarde que as caracterizam, o espaço que sempre mereceram, não se conformando em ficar relegadas ao não-diálogo e quase esquecimento em que parecem se encontrar neste odioso mundo pós-moderno em que não há irmãos, só rivais. Precisamos de mais circo, mais cinema e mais Bíblia pra nos lembrar a beleza e a força de ser irmão. Imagino que um mundo de filhos únicos seja muito triste -- vide a China presente na esquisitice de seu "socialismo de mercado" e falta de mulheres com quem os solteiros de menos de quarenta possam se casar.

Vou deixando essas reflexões aleatórias por aqui. O cinema e fraternidade não estão me deixando pensar direito. Só sentir -- um sentir doído e muito, muito estranho.



Escrito por Cris às 23h53
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Despedida

Tenho que admitir: minha tentativa de reavivar este blog que ainda fumega não foi bem-sucedida. O pobre continua jogado às traças. Na celebração de Lava-Pés de hoje o padre falou sobre nossas experiências de morte já vividas -- planos que têm de ser deixados pra trás entre elas. Acho que este 33 é um deles -- pelo menos por enquanto. Como estou vivendo uma experiência muito intensa na minha vida pessoal resolvi criar um outro blog, esse sim temporário: http://cancerianas.blogspot.com/. Fica a sugestão pra quem eventualmente ainda aparecer por aqui.

Por hoje deixo, como o fechamento de um ciclo, um pequeno mimo: uma crônica sobre uma experiência que tive na Quinta-Feira Santa do ano passado. Aproveitem. Beijos.

O Teste

Quinta-feira Santa. Chegava naquele 2007 a sua época preferida. Como cristã que era, ia passar de novo, como em todos os anos, pelos momentos mais decisivos da vida do seu Mestre: a despedida dos amigos, a saudade, o abandono, a angústia, a tortura, o desespero, a morte, o repouso e, finalmente, a ressurreição. Desde que se tornara católica aquele era seu tempo litúrgico preferido. Vivia tudo com o Mestre até explodir na realidade irrefreável da vida derrotando a morte. Como a chama isolada no fundo da igreja escura acesa no Sábado Santo, que ia se repartindo sem perder a força, aquele tempo reforçava nela a grande delícia de pertencer àquela religião: para aquela gente não há morte sem ressurreição.

Coincidentemente aquela Quinta-feira Santa também trazia o ponto mais alto, até agora, de sua vida de atriz – ou melhor, de projeto de atriz. Tinha sido chamada no dia anterior para um teste. Não um teste qualquer: um teste para o longa-metragem mais caro já produzido no país, dirigido por aquele considerado o maior diretor brasileiro em atividade. Alguém cuja Cidade de Deus foi de cara para a lista dos melhores filmes da vida daquela cinéfila e de lá não mais saiu. Ainda tinha a lembrança vívida de uma quarta-feira cinco anos antes, do filme que não saiu de sua cabeça a noite inteira, tanto na vigília quanto no sonho. Mais: o diretor tinha passado no teste do segundo filme depois de seu estouro internacional, feito cada vez mais raro na atual conjuntura. O Jardineiro Fiel também tinha ido parar, despretensiosamente, na lista dos filmes queridos daquele projeto de atriz. E hoje seria seu grande dia: tantos questionamentos, idas e vindas nas escolhas profissionais, cursos, tentativas, semi-tentativas, abandonos, tudo isso finalmente fazia sentido. Sempre tinha tido dúvidas sobre se valia a pena lutar pela carreira. Pela carreira, não sabia; por esse filme com certeza sim. Alguém ali certamente descobriria seu talento escondido, os elogios acalentados dos curta-metragens do passado fariam sentido e os 35 anos de espera e dúvida valeriam a pena. O material mandado na Quarta-feira de Cinzas, coincidentemente, encerrava sua missão no último dia daquela quaresma.

O namorado se atrasou para buscá-la. Além de nervosa ela estava irritada: não entendia por que ele insistia em chegar atrasado em seus momentos cruciais. Nada podia ser tão arrasador quanto perder aquele teste. O coração disparava, faltava o ar, ela não sabia se caía no choro ou xingava o namorado até a última geração. Ele ria. Não estava atrasado: ela é que estava ansiosa.

Chegaram pontualmente à casa onde aconteceria o teste. Por fora, nada de especial. Por dentro, assim que o portão de metal maciço se abriu, viu um jardinzinho gramado, grande sonho de consumo da quase-atriz paulistana. Verde, terra, um vislumbre de natureza no meio da cidade desgarrada. Uma senhora de avental e andar gostoso a recebeu e a levou ao andar de cima. Na sala havia um pequeno grupo de pessoas sentadas. Cumprimentou-os com o invariável sorriso largo. “Quando você sorri é o seu rosto inteiro que sorri”, dizia o pai dela. O ator sentado na poltrona à direita concordou: “Que sorriso bonito!” Engraçado, ela achava a mesma coisa do sorriso dele. Conversaram sobre as amenidades que a situação pedia até que ela decidiu que era hora de se trocar para a dinâmica de grupo.

Entrou no banheiro e viu, ao lado da pia, um painel de cortiça com fotos. De frente para o vaso sanitário havia também uma câmera com o aviso “Sorria, você está sendo filmado!” Ela não acreditava: “Alguém roubou a minha idéia!” Riu sozinha e percebeu, ao colocar as calças batidas dos aquecimentos corporais, que, por mais que a câmera fosse falsa, a presença dela e do aviso que a acompanhava causavam um certo constrangimento. Exatamente como ela tinha imaginado.

Voltou à sala e ficou observando. Ao lado do aparelho de telefone havia um papel bem visível colado à parede com o nome “Fernando” e um número de celular. A senhora do andar gostoso serviu café para os que queriam. Uma assistente da produtora chegou, localizou as fichas com fotos e nomes dos atores e distribuiu uma ficha e um questionário para serem preenchidos. Nome, cor dos cabelos, cor dos olhos, peso, altura, número de DRT, o de sempre nessas ocasiões. O questionário tinha uma página quase inteira listando situações das mais variadas ao lado de quadrados onde se devia marcar um “x” se se concordasse em participar delas: pessoas transando, sujeira, lixo espalhado pelas ruas, excrementos, ratos, urubus, pessoas mortas, pregadores de seitas apocalípticas e por aí vai. Ela marcou o “x” em todas, com exceção de “uma bailarina cega”: era péssima dançarina. À pergunta sobre se concordaria em passar por mudanças físicas para participar do filme, respondeu “sim, qualquer coisa”. Não teria o menor apego à sua cabeleira se tivesse que raspar a cabeça, nem dúvida sobre perder 5 dos 49 quilos que tinha.

Chegou o preparador de atores e levou o grupo, que naquela altura já contava com umas dez pessoas, para uma enorme sala de paredes negras e barras de alongamento, como uma sala de balé. Uma das paredes estava coberta por espelhos. Depois de alguns exercícios de respiração ele vendou os olhos de todos e deixou que interagissem. Ela achou que ia ficar desesperada, mas não: tentava andar com calma, guiava-se tocando as paredes com as mãos, tentava explorar as sensações do tato. Achou uma corda junto à parede. Explorava a geografia do espaço às vezes com mais, às vezes menos confiança. Pisou em poças de líquido. Um grande nojo involuntário tomava conta dela cada vez que isso acontecia. Nesse processo perdeu a noção de tempo. Foi quando se deu conta de que estava plenamente no momento presente. Era o ápice da experiência contemplativa. Quem dera isso acontecesse sempre em suas meditações diárias. Era de fazer inveja aos zen, com o perdão da contradição dos termos. Cada inspiração, cada expiração, cada estremecimento de asco, barulho ou toque eram inteiros.

Chegou a hora de tirar a venda e tentar manter aquela sensação. O momento de transição foi difícil, e mais difícil ainda dizer se ela tinha conseguido manter aquele estado enxergando.

Ao final da dinâmica todos saíram do local e voltaram para a sala iluminada de estar. O preparador de atores conversou com o grupo e trocaram impressões entre um café e outro. Depois deviam voltar, um de cada vez, à sala negra, e gravar um take curto. Na vez dela ele disse: “Vai no seu tempo. É a mesma coisa que a gente fez antes, a mesma sensação, só que agora a gente vai pegar um close.” Ela inspirou uma vez: “Você já está cega, né?” ele perguntou. Ela achava que sim.

Terminados todos os takes o pessoal da equipe da produtora se despediu. Os atores foram indo embora aos poucos e ela ligou para o namorado vir buscá-la. Acabou ficando sozinha ali, quando a senhora do andar gostoso finalmente decidiu ir embora também, deixando as xícaras espalhadas. Afinal, era véspera de feriado. Decidiu esperar na calçada, sentada no meio-fio. Observava os carros de auto-escola que passavam por aquela rua tranqüila.

Antes do namorado chegou um carro cheio de adolescentes. Foram estacionando um pouco desconfiados ao ver alguém sentada na calçada. Finalmente um deles saiu do carro: não podia haver perigo naquela mulher mignon de olhar manso e blusa cor-de-rosa, mesmo em São Paulo. Ela se apressou em dizer, antes que ele perguntasse, que tinha saído do teste e esperava o namorado. O garoto de cabelos loiros e olhos claros disse: “Quer esperar lá dentro?” Ela agradeceu: era melhor mesmo.

Ficou esperando no hall de entrada, ao lado da escada, enquanto aqueles quatro ou cinco adolescentes descarregavam do carro alguns equipamentos de som e instrumentos musicais. Viu a correspondência em cima de uma mesinha. Naquele ponto caiu a ficha: o nome sobre a correspondência, os cabelos do anfitrião adolescente, tudo indicava que aquela era a casa do diretor. Por inacreditável que parecesse, ela devia estar na casa de Fernando Meirelles.

O garoto desceu novamente: “A gente vai ensaiar. Quer assistir?” É claro que ela queria. Se não fosse atrapalhar, lógico. Atrapalhar ela viu que não atrapalhava, mas estava se sentindo meio inútil enquanto eles montavam os instrumentos. Tinha que fazer alguma coisa. Resolveu lavar a louça do café que tinha ficado espalhada pela sala. “Não precisa se preocupar,” ele disse. Agora já era tarde. Lavou a louça toda.

Foi quando o namorado chegou. Ela agradeceu a gentileza dos meninos e foi embora.

Foram embora também os meses e ninguém a chamou. Não passou no teste. Quem sabe lhe faltasse talento; quem sabe fossem o corpo mignon, o olhar manso ou a blusa cor-de-rosa. Já tinham me dito: “Se você quer mesmo exercer esta profissão tem que se acostumar com muitos nãos”. Não importa. A grande delícia da minha religião é que não há morte sem ressurreição. Além do mais, no aviso ao lado da câmera do banheiro se lia: “Sorria, você está sendo filmado!” Não vale, Fernando, você roubou a minha idéia!



Escrito por Cris às 23h44
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Quem é vivo...

Juro que eu achei que este blog não estaria mais aqui. Estou achando o máximo que ainda esteja, embora os leitores já tenham cansado de clicar a ver que faz um ano não tem post novo. É bom poder reativá-lo, mesmo já estando com 33+3... rs



Escrito por Cris às 21h34
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Faz três dias que eu não saio de casa. Literalmente. Aqui tenho trabalhado, comido, cozinhado, dormido e rezado. Vou confessar que não sinto falta das ruas de Sampa. Ainda se eu estivesse perdendo uma bela paisagem cheiro de mato e canto de passarinhos, vá lá. Ou as ruas de Paris, ou de qualquer cidade bonita. Mas São Paulo... Nem morando na cara da Avenida Paulista, que anda toda esburacada, barulhenta, cheia de entregador de papel e gente perguntando se eu gosto de teatro. O fato de que eu gosto é o que menos vem ao caso aqui, o que eles querem é me vender um título de associação cultural ou coisa que o valha. Só sinto falta de ir fazer ginástica e ir à missa. De resto, estou muito bem trabalhando em casa, ainda mais cheia de trabalho do jeito que eu estou.

Escrito por Cris às 22h40
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Se continuar assim vou mudar de blog. Afinal, os trinta e tres ja foram. Segunda-feira retrasada fiz 35.

Escrito por Cris às 23h11
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Pra completar agora tenho que escrever sem acentuacao... O, paisinho vendido!

Escrito por Cris às 23h09
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Escrevo um post sobre cabelos e chovem comentários. Escrevo outro sobre política e nadinha. Que país é esse, hein, meu povo? rsrsrs

Escrito por Cris às 23h08
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Ressaca eleitoral

Que tristeza. Paulo Maluf campeão de votos. Celso Russomano, Palocci, Genoíno, João Paulo Cunha e outros mensaleiros e sanguessugas eleitos. Clodovil, que só sabe que vai chegar ao planalto chiquérrimo mas ainda não pensou no que vai fazer lá, idem. E o horror dos horrores, uma cena impensável dez anos atrás: ontem eu vi e ouvi, com esses olhinhos e ouvidinhos que a terra há de comer, o Lula falando bem do Collor em sua entrevista coletiva. Reproduzo aquilo de que me lembro: "Tem gente reclamando que o Collor voltou. O Collor já esteve afastado 14 anos! Agora, com a experiência que ele teve como presidente do Brasil, ele pode fazer um trabalho extraordinário no Congresso se quiser." Depois disso falta só anunciarem o fim do mundo. E um dos cavaleiros do Apocalipse pelo visto atende pelo nome de Luís Inácio Lulla da Silva, em quem votei desde 1989, por quem lutei e fiz boca de urna, em quem acreditei. Como diria meu padrasto, petista de primeira hora, desde a fundação do partido: acho melhor pedir desculpas para a Regina Duarte. Era pra ter medo do Lulla mesmo.

Escrito por Cris às 22h16
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