Um elogio daqueles pra guardar para os dias de chuva e lágrimas ontem deu um toque doce a uma semana difícil. Difícil em relação aos outros, ao trabalho e principalmente às muitas muitas muitas e sempre mais coisinhas chatas do cotidiano que aparecem pra tomar o tempo e aparentemente acrescentar muito pouco. Queria ter mais tempo pra cuidar do meu trabalho e daquilo que alimenta a minha alma. Acho que esse era o mal do século XX, e pelo visto será de um pedaço do XXI também.
Mas, voltando aos elogios, é difícil falar sobre eles, e às vezes também sobre quem os faz. Não dá pra publicá-los despudoradamente: são exclusividade da intimidade. Adoro recebê-los, mesmo que fique, invariavelmente, sem graça até o último grau. São prazeres tão mais preciosos na medida em que só podem ser devidamente saboreados por quem o faz e quem o recebe. Comentar com os outros vira inflação de ego, papo vazio e por aí vai, a não ser que haja uma razão muito específica para compartilhá-los. É um caso curioso de troca. Alguns me fazem ganhar o dia, outros mais do que isso, e outros ainda me ajudam a recuperar um pedaço da alma na medida em que levantam muito, em certas ocasiões, a auto-estima, quando está baixa. Acho que o de ontem se encaixa na última categoria: por quem o fez, pelas atitudes que o precederam, pelo carinho das palavras. A ele obrigada mil vezes. :-)