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Divagações teológicas
Ainda sobre a aparente contradição entre corpo e espírito: não custa lembrar que o apóstolo Paulo, quando foi pregar aos gregos no areópago, foi muito mal-recebido porque falou que Jesus havia ressuscitado em corpo e espírito. Para os gregos isso não fazia sentido, pois consideravam o corpo uma prisão para a alma, que só seria verdadeiramente livre depois de deixar o corpo. Apesar de ser leiga em teologia, arrisco dizer que o ônus que nós, católicos, tivemos que pagar pela admirável contribuição de Agostinho e Tomás de Aquino ao adaptarem a filosofia grega à teologia cristã foi esta visão deturpada que até hoje temos do corpo na sociedade ocidental, mais particularmente na igreja católica. Ainda bem que há católicos maravilhosos atentando para isso e tentando abordar o assunto com simplicidade e coragem.
Escrito por Cris às 23h12
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O iluminado Elias
Pela primeira vez, das mãos do querido Elias, recebi hoje uma massagem ayurvédica. Como ele mesmo havia prevenido, mudou minha energia – para melhor, claro. Com exceção do momento em que ele pegou na região do ciático, em que quase uivei de dor, o tempo da massagem em si foi muito bom: a massagem é prazerosa e o papo com o Elias, como sempre, cura e alarga horizontes. De uma certa maneira pegamos um gancho na conversa telefônica que tive com a Bethania no domingo e falamos sobre o conceito de energia do corpo, sexo e sexualidade como caminho para a espiritualidade, conceito este tão presente em certas tradições orientais e tão ausente das leituras ocidentais do cristianismo. Só reforçou meu forte desejo de, um dia, formar um grupo de estudos inter-religioso para discutir o papel dessa tríade (corpo-sexo-sexualidade) na sua ligação com o espiritual. Um dia chego lá.
Escrito por Cris às 23h15
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Olhos de criança
Maravilhosa ida ao mosteiro de Vinhedo no fim de semana. Foi das minhas estadias mais conturbadas, mas o tempo menos bom que passo lá é sempre bem superior ao tempo da rotina. Como bem disse a última psicoterapeuta que tive, devo prestar atenção a quanto gosto da minha solidão, e a como ela dá um ganho considerável ao tempo que passo com os outros. Tive, pela primeira vez, a assustadora experiência de chegar à oração sem um monte de indagações a fazer a Deus. Só estava lá, curtindo a presença Dele. Acho que nunca havia experimentado um estado tão “zen” antes.
De volta à vida normal, um papo transcendente com a Bethania em que discutimos os elogios e a capacidade de encantar e ser encantado, reflexões que se estenderam hoje suavemente enquanto eu escutava “Every Little Thing She Does is Magic” do Police e, em grau bem mais profundo, quando lembrei da frase de Matisse que diz: “Há que olhar o mundo com olhos de criança.” Quem dera houvesse mais olhares infantis nesse sentido observando este mundão por aí.
Escrito por Cris às 23h17
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