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Vida de atriz
Hoje gravamos a penúltima cena do curta que estamos fazendo na escola de atores, baseado num conto hindu chamado “A Procissão das Formigas”, que está no livro “O Poder do Mito”. É um curta de escola, muito improvisado, mas acho que vai ficar legal. É um trabalho empolgante, apesar de não ter nada do glamour que se imagina de fora. As pessoas não acreditam, mas o trabalho exige sacrifícios. :-) Eu, por exemplo, nunca imaginei que tivesse que fazer um papel que exigisse mais de meia hora de maquiagem, três colares, oito pulseiras, três tornozeleiras, sete anéis, brincos de pingente e coroa ao mesmo tempo. Ao chegar em casa, mais de uma hora depois da cena já gravada, eu ainda estava com as marcas da coroa na testa e nas têmporas, e alguns vergões por causa do tecido do figurino. Num dia invernal como hoje gravei descalça, de blusa de alcinha e saia indiana semi-transparente. Podia ser pior: se estivesse calor era capaz de a maquiagem derreter por causa dos refletores. Boa parte do tempo é gasta no acerto da iluminação e do som antes da gravação, mas enquanto isso eu já tinha que ficar praticamente imóvel na minha posição, de pernas cruzadas sentada em cima de uma pilha de livros (o improviso...). Obviamente ao terminar a cena eu não sentia as pernas, que tinham ficado completamente dormentes. O pior é sair à rua com a maquiagem e ter que passar de três a quatro “demãos” de demaquilante para tirá-la em casa. Ainda assim, como o contorno “à indian”a dos olhos é pesado, não há soro fisiológico que o tire totalmente, e o lápis e o rímel só vão sair completamente amanhã à noite ou no sábado de manhã. Tudo isso repetido em três dias de gravação para uma cena de poucos minutos em que só tenho duas falas. Mas feita com o maior prazer.
Outra coisa que estou curtindo muito é experimentar um pouco de tudo numa rotina de gravação: já ajudei o diretor com os fios da câmera, segurei o boom, regulei o som, providenciei figurino e adereços e fiz narração. Cheguei à conclusão de que, se eu não der certo como atriz, será provavelmente muito prazeroso achar outras maneiras fazer parte deste mundo que eu tanto amo desde criança.
Escrito por Cris às 23h38
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Indagações
Meu computador passou o dia zoado ontem. (Como a palavra “zoado” é inventada, mesmo, usei a grafia que achei mais conveniente.) Como mal sei mexer com ele tive que esperar uma amiga chegar hoje para arrumá-lo. Preciso fazer um curso ou estudar sozinha o básico de informática urgentemente. Preciso também arrumar o meu quarto, está um horror. Preciso pôr uns tantos emails em dia. Estou exausta, com cansaço acumulado; mais durmo que contemplo na hora da minha meditação e anseio pelo feriado, em que também gostaria de ler uns blogs legais, encontrar alguns amigos, ir ao cinema e além de tudo visitar minha mãe em Atibaia...
Acho que não sou só eu que tenho a impressão de que os dias voam, o tempo passa e a vida dá uma rasteira na gente antes que a gente faça tudo aquilo que em teoria precisava fazer, ou gostaria de fazer. Por que será que essa sensação é tão generalizada, e por que às vezes eu a sinto tão forte? Ainda mais importante que as perguntas anteriores: como lidar com isso? Estou longe de ter uma resposta. Agradeço se vierem alguns insights.
Escrito por Cris às 23h47
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Sobre o tempo e os relacionamentos
Semana curiosa esta, cheia de contrastes. Tive dois baques com algumas pessoas no decorrer dela, mas o fim de semana compensou tudo com encontros extremamente prazerosos. Como se diz com muito sabor em inglês, “time flies when you’re having fun” e os três encontros que tive nestes dois dias confirmaram esse ditado.
Os problemas inesperados de relacionamento me trouxeram à mente mais uma vez a sábia frase do Primeiro Testamento que diz ser “maldito o homem que confia no homem”. As expectativas com relação aos outros são muitas vezes passaporte certo para a decepção. Por outro lado, no meu caso, três coisas compensam os choques: primeiro, um otimismo e uma fé que ou são genéticos ou presentes dos astros, e o dom de não esquecer (ou de descobrir) as qualidades das pessoas apesar de seus defeitos, que graças a Deus aumentou com o tempo. Segundo, a bênção de conhecer gente especial que compensa grandemente o alto número de idiotas que vejo por aí e não me deixa desacreditar da humanidade, gênese essa que está sendo fortalecida, quem diria, pela internet. Terceiro (e acho que mais importante de todos), há o exemplo do Mestre. Analisar através das narrativas dos Evangelhos o quanto ele esperava pouco das pessoas, conhecia profundamente seus defeitos e ainda assim acreditava na transformação delas é uma aventura emocionante. Que dizer do seu último encontro com Judas, que mostra um desapego tal dos próprios sentimentos a ponto de Jesus chamá-lo de “amigo” e questionar a traição, dando a Judas uma última chance de cair em si em relação ao seu ato? Quando penso em quanto ainda tenho a aprender desse Homem maravilhoso, em quanto engatinho no caminho do verdadeiro amor, só posso agradecer pelas oportunidades que tenho de viver, aprender e amar, tanto com os sofrimentos quanto com as alegrias – vida e morte concomitantes, como sempre. E mais e mais me apaixono pelo Mestre e tenho a certeza de que qualquer homem da minha vida só pode ser segundo depois dele. Ou seja, só posso dividir minha vida com alguém que não seja ciumento. :-)
Para terminar de forma mais prosaica, aqui vai a tradução do versinho em inglês que fala sobre os tradutores. Pensei em fazer uma tradução menos literal e mais trabalhadinha, com rima, como o original, mas estou sem tempo e sem saco pra isso. Já é tarde e tem mais Coldplay para ouvir deitada no chão escuro da sala antes de dormir. Os 5 ou 6 leitores deste blog devem todos falar inglês muito bem, mas vamos lá:
Muitos críticos, nenhum defensor
Tradutores só tem duas tristezas:
Quando acertam ninguém se lembra
Quando erram ninguém se esquece
Escrito por Cris às 23h39
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Três e cinco da manhã. A noite voou e eu não consegui dormir cedo, como queria, mas não importa. Ainda resolvi fazer uma coisa que deixou de ser hábito desde 1992: ouvir música antes de ir dormir, deitada no chão da sala, apenas uma luz tênue acesa. Estreei o cd do Coldplay que ganhei de presente, o piano vertiginoso de “Clocks” entrando propositadamente um pouco mais alto do que o recomendável pelos fones de ouvido e me transportando ora para a bela Londres e ora um para um pouco mais dentro de mim. Deixei-me levar, as sensações e sentimentos correndo soltos com uma liberdade gostosa. Um belo hábito que merece ser resgatado.
Escrito por Cris às 02h14
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