Boa paciente
Dá muito trabalho ficar doente, principalmente com uma reforma no banheiro de casa, e querer ser uma paciente disciplinada. Durante esta semana de recuperação o tempo que gastei entre fazer e tomar chá de guaco com agrião, gargarejo de casca de romã três vezes por dia e inalação antes de dormir deve ter somado alguma horas. Há que ter paciência também com a tosse da manhã: as coisas mais comezinhas da rotina acabam demorando um minutinho a mais por causa da tosse, e no fim, quando a gente vê, demorou 15 minutos a mais pra ficar pronta de manhã. Usar máscara por causa da poeira da reforma também é bastante desconfortável, e a tentação de sair falando quando a gente se dá conta de que já está melhor é bem grande. Mas acho que fui bem comedida durante a semana, e agora já me sinto bem melhor. Mas essa faringite que tive serviu, mais uma vez, pra reforçar os ensinamentos básicos de tempos imemoriais: primeiro, que o tempo, matéria mais preciosa da vida, se esvai em milhares de pequenas coisinhas rotineiras e chatas e não há o que fazer com relação a isso. É dom que se usa como se pode, não como se quer. Segundo, que as recuperações são lentas: eu estava ótima há 15 dias, mas para voltar ao estado de antes vai demorar, e também não há o que fazer em relação a isso. Foi como exagerar no almoço de aniversário da minha prima no sábado e ganhar quase um quilo por causa disso, o qual só vai embora ao longo da semana. Um dia pra ganhar, sete pra perder, e é assim mesmo. A vida segue seu curso, e uma grande parte dela é insignificante e demanda paciência. Felizes, portanto, aqueles que aprendem a aceitar a pequenez.
Escrito por Cris às 21h28
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