Feriado e Mostra
Que bom poder voltar a blogar, eu já estava com saudades (nunca pensei que fosse usar esse verbo, nem em palavra nem em ação :)).
Foi-se mais um feriado com alguma coisa realizada e muito por realizar. Não fiz metade do que gostaria de ter feito. Não estudei nem preparei as aulas da semana. Não visitei os blogs da Dada, do Nando e do Emerson, e já vou pedindo desculpas e adiando essas visitas muito a contragosto para o fim de semana próximo. A saúde já está boa: hoje acho que fiz minha última inalação. Sinto que estou parando de pigarrear e expectorar. Como eu disse no post anterior, foram instantes para ficar doente e mais de três semanas até estar plenamente recuperada. Mas algumas coisas fizeram o feriado valer: no sábado fiz um belo passeio pelo centro da cidade com meu pai e um grupo guiado por ele. A experiência de ser turista na própria cidade é interessantíssima e eu a recomendo, ainda mais numa cidade como São Paulo, com poucas belezas. As que existem devem ser apreciadas com muito carinho. Domingo foi dia de voto, e eu nunca me arrependo de exercer esse direito. Vi gente querida e conversei bastante com minha irmã, que está precisando muito de um bom ouvido, mais particularmente do meu. Mas quase não consegui aproveitar a orgia cinematográfica que está em andamento na cidade, a 28a. Mostra de Cinema. Em 2002, ano em que consegui ver um número recorde de filmes (24, cerca de 10 por cento dos filmes exibidos), comecei a sonhar com o ano em que conseguiria tirar férias na época da Mostra. Não foi nem em 2003 nem neste ano, mas posso continuar sonhando com 2005. :) Em 2002 vi filmes que não foram exibidos no circuito comercial e que não esqueci, o que me fez pensar que vale a pena mergulhar de cabeça nesta insanidade que é a Mostra. Neste ano tive a oportunidade de matar a saudade do mestre Kieslowski com A Paz e chorei até soluçar hoje com Dom Hélder Câmara: o Santo Rebelde. O filme só reforça a inspiração e a ternura que ele exerce sobre mim. Tudo o que ele foi e falou me fez rever meu interior, minha atitude diante da vida e a verdade das minhas intenções. Queria ter um pouco que fosse do desprendimento e altruísmo que ele teve, queria encontrar a riqueza que ele encontrava nas dificuldades e que o fazia ainda mais humilde e doce. Durante a missa, depois do filme, conversei interiormente com ele. Pedi que me guiasse e não me deixasse perder de vista a pureza de meus desejos e ações, e que intercedesse junto a Jesus para que eu superasse meu egoísmo e mudasse verdadeiramente as minhas estruturas interiores, as mais difíceis de serem mudadas nas palavras dele. Quem sabe ele também me ensine a aceitar o pouco que consigo fazer em vista do muito que gostaria. Há um poema-oração dele que me faz pensar que ele sabe exatamente do que estou falando, uma carícia que faço em meus leitores amigos e com a qual termino este post:
“Bendito sejas, Pai,
pela sede que despertas em nós,
pelos planos arrojados
que nos inspiras,
pela chama
que és Tu mesmo
crepitando em nós...
Que importa
Que a sede fique
em grande parte insatisfeita?...
(Ai dos saciados!)
Que importa que os planos
fiquem mais no desejo
do que na realidade?
Quem sabe mais do que Tu
que o êxito
independe de nós
e só nos pedes
o máximo de entrega e de boa vontade?”
D. Hélder Câmara
Escrito por Cris às 22h55
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