Shabat shalom
Uma das maiores alegrias que tenho na semana é quando chega a sexta-feira e vou para a sinagoga. Andando de mãos dadas vêm ao meu encontro a alegria pelo descanso que vem depois de uma semana de trabalho, a expectativa de um bom fim de semana e a satisfação de encerrar uma e começar o outro com uma coisa prazerosa.
Aos desprevenidos (não-judeus, obviamente) que, ao lerem este post, acharem que sou judia, digo que não sou nem pretendo ser. Mas como católica praticante, curiosa e apaixonada por Jesus, não pude deixar de ter um interesse pelo judaísmo por conta daquilo que temos em comum. Afinal o Mestre, maior amor da minha vida, foi um bom judeu praticante de sua religião enquanto viveu nesta terra. Depois de um tempo, por conta do meu trabalho com diálogo inter-religioso, comecei a admirar, além daquilo que nos une, também o que nos separa. Há um longo caminho a percorrer neste trabalho de diálogo: visitei a Zen do Brasil uma única vez e ainda devo ao Sheik Mohammed uma visita. Também há outros lugares religiosos que pretendo visitar, mas a Congregação Israelita Paulista é muito perto da minha casa e o horário do serviço é muito bom, por isso não falho na minha ida lá quando estou em Sampa. Via de regra, cada vez que vou lá, o rabino joga uma luz num ângulo da Bíblia que nunca tinha sido iluminado antes, e eu sou tomada por aquela experiência do “pathos”, o “espanto” filosófico que enche de entusiasmo, o “awe” inglês que tanto me deu trabalho quando traduzi o padre William Meninger. :) Quanto aprendi com o rabino Alexandre Leone, com suas palavras temperadas de sabedoria, com seu temperamento conciliador, com a sensibilidade que transborda do coração dele. Quanto aprendi com os outros rabinos e com aquela comunidade. Hoje, além deles, estavam presentes na sinagoga o ministro das relações exteriores da Alemanha, vários políticos alemães e alguns jornalistas. O ministro recebeu uma homenagem da comunidade por seu trabalho contra o anti-semitismo e o preconceito na Europa. Fato que encheu de alegria o coração desta pacifista, que vibra cada vez que um passo é dado em direção à verdadeira paz e respeito entre os seres humanos e com a natureza.
Escrito por Cris às 21h38
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