Natal, natal...
Mais um natal se foi. Fora o tempo pouca coisa mudou. Acho que de tanto nos fixarmos na figura do Papai-Noel vestido com aquele pesado casaco vermelho vivo, cheio de brancas peles quentinhas nas mangas e no gorro e a longa barba para protegê-lo do frio acabamos atraindo um frio polar para este dezembro. Era só o que me faltava. Aliás é impressão minha ou o frio virou minha mais nova obsessão? :) Estou com tanta raiva deste tempinho que tem feito que noto que vivo falando dele. Se virou obsessão mesmo é somente mais uma para minha lista, que inclui, entre outras coisas, uma implicância figadal com as nossas comemorações natalinas aqui deste lado dos trópicos.
Não me conformo e nunca me conformei com esta mania estúpida de copiar o que vem do hemisfério norte. Se copiássemos tudo estava bom, mas só copiamos o pior: a ilusão do desenvolvimento, o consumismo, os prédios de vidro nem um pouco apropriados ao nosso clima (obviamente desprovidos da área verde e planejamento que acompanham este tipo de construção na Europa), os maus hábitos alimentares e o natal. Não adianta dizer que o natal é uma festa européia em sua origem: sim, é claro que é, mas tínhamos tradições que foram simplesmente solapadas pela cultura de massa e que eram muito nossas sim, senhor. Cito as pastorinhas, as folias de reis, as congadas e cavalhadas pra ficar só nas que eu conheço, sendo que as duas últimas ainda acontecem em Atibaia, onde mora minha mãe. Mas ao invés de valorizarmos e até modernizarmos essas manifestações preferimos cantar uma tradução de “White Christmas”. Esquecemos a essência da festa, a celebração do nascimento de Jesus, e damos mais valor a uma figura que vem do Pólo Norte e, como não podia deixar de ser, dá calor só de olhar. Podem me criticar o quanto quiserem, mas eu sou por uma celebração antropofágica do natal: mantemos a data de origem européia, sim, pra podermos estar em união mais profunda com o resto da cristandade, mas adaptamos os símbolos, as comidas da ceia e pelo menos incluímos alguns cantos nossos no rol das músicas natalinas. Que não pensem que eu critico “Noite Feliz” e “Adeste Fideles”, por exemplo, duas melodias universais e de letra digna, mas daí a cantarmos que sonhamos com um natal branco e não incluirmos nada brasileiro no repertório é um pouco demais. Eu, por mim, adaptaria até a árvore: ao invés de pinheiro faria um ipê de natal, lindo, florido nesta época do ano, lembrando a primavera, o renascimento, a alegria e sacralidade da vida infantil que se comemoram ao celebrarmos o nascimento de Jesus.
Ah, sim: quanto ao meu natal, foi muito bom. Nada especial, mas uma bela celebração da vida, da família que eu amo e do Deus que eu adoro justamente por ter sido capaz de se fazer criança, que é pra não meter medo em ninguém.
Escrito por Cris às 22h56
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