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Festa no apê
Depois de ouvir a música “Festa no Apê”, do Latino, no rádio, tenho insistentemente repassado todas as músicas que conheço na memória pra ver se encontro uma pior. Até agora não encontrei, e “Festa no Apê” é forte candidata ao título de pior música que eu já ouvi na vida. Com certeza daqui a uns 20 anos, quando houver festas de retrospectiva do gênero “Trash 80s” atualizadas para “Trash 2000” as músicas do Latino serão hits. Todas. Por enquanto eu, como fã incondicional de música brega que sou, estou empenhada em aprender toda a letra da “Festa...” e um dia conseguir baixá-la no MP3.
Escrito por Cris às 11h56
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Uma aula melhor
Voltei da aula de atuação hoje com hematomas nos braços e a auto-estima um pouco mais pra cima. :) Diferentemente da aula passada, hoje eu me deparei com limites que pude ultrapassar. Fizemos cenas de raiva, razão pela qual ganhei os hematomas surgidos da empolgação de um dos colegas que me segurou com força demais mas em quem eu também lasquei um belo tapa na cara. Dizendo assim parece um horror, mas o que houve foi uma sucessão de vitórias: primeiro, consegui deixar aflorar um sentimento que considero “negativo”. Segundo, houve uma entrega verdadeira de todos a suas cenas, o que perdoa totalmente o fato de um dos meus queridos ter deixado marcas nos meus braços. No fim da aula houve uma cena de mágoa e perdão, e eu decidi deixar tudo rolar e não ligar para o fato de que estaria fazendo terapia através do teatro naquele momento. Deixei vir uma lembrança triste e todas as sensações que ela acompanha, e acho que a cena até saiu bonita. Com o tempo aprenderemos a dosar o que é nosso e o que é do nosso personagem, mas acho que no momento podemos fazer um pouco de terapia. O fato é que crescemos. Em homenagem a esse processo dei uma rosa vermelha a cada um dos meus colegas e professores no final da aula. Estranho, eu sei, mas esta sou eu e neste ponto não estou nem aí.
Escrito por Cris às 22h18
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É carnaval...
Continuo um pouco chorosa por causa do baque que levei dos meus limites na última aula de interpretação, mas é carnaval e a tristeza não pega. Como diz Zé Ketti em uma de suas canções, “vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval”, ou seja: no final é tempo de alegria. A propósito, se uma coisa me ajudou a me recuperar foi justamente o último ensaio da bateria da Tom Maior ao qual eu fui logo depois daquela malfadada aula. Neste ano, aliás, fiz do carnaval uma redescoberta e um resgate muito interessantes. Hoje, aqui em Atibaia, fui à praça da Matriz no final da tarde, onde estava havendo um carnaval de marchinhas, muito parecido com as matinês de carnaval aonde a minha avó me levava. Íamos ao Clube Recreativo Atibaiense na mesma praça, ao lado da Igreja Matriz: eu, minha irmã e meu primo acompanhados da vovó. Uma vez, para fazer uma fantasia de Rapunzel, comecei a tecer duas tranças de lã meses antes do carnaval. Nem lembro quantos anos eu tinha, mas naquela época criatividade não era problema e a necessidade uma bênção. :)
Além do resgate de alguma coisa que está tão arraigada no inconsciente coletivo do brasileiro como o carnaval, e algo que eu realmente curtia, acabei descobrindo a energia do samba. Meu querido Guto, que me acompanhou a todos os ensaios, ficou impressionado com meu pique. Descobri que o som daquela bateria e o clima no barracão são altamente energizantes. Li nesta semana um ensaio inesperado do Roberto Pompeu de Toledo na Veja comentando os disparates do carnaval, e em muitas coisas fui obrigada a concordar com ele. Ele diz, por exemplo, que embora os desfiles de carnaval se pareçam muito com uma ópera na sua concepção, tomam muitos elementos emprestados das competições esportivas na sua execução, o que torna a coisa um pouco esdrúxula. Ele também critica (com razão, na minha opinião) o destaque que vêm tendo as “madrinhas de bateria” e afins, famosas de plantão, em detrimento do destaque que tinha o povo, especialmente o povo pobre, nos desfiles. Pra ele isso vai tirando do carnaval o aspecto de época do ano em que pobre vira rei (como se não merecessem o título e a majestade todos os dias do ano pelo que agüentam). Mas o que vi nos ensaios foi uma integração muito legal entre as pessoas, independentemente de classe social, cor e idade. Algo que me fez muito bem. Fora uma informalidade muito maior e muito menos putaria (com o perdão da expressão chula, na falta de outra que me venha à cabeça) do que em outros ambientes dançantes. Ao contrário das boates e discotecas às quais às vezes vou, lá o povo se veste de maneira mais informal, os preços praticados são honestos, não há agarração generalizada, nenhum homem bêbado me passou a mão e o povo vai mesmo para dançar. Enfim, o que eu chamaria de diversão saudável. Que bom seria se muitos além de mim também resgatassem essas qualidades na hora de se divertir.
Escrito por Cris às 21h25
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