O rabino rebelde
Mais uma boa semana que está no fim, mais um belíssimo serviço de Cabalat Shabat. Ir à sinagoga com regularidade, ler sobre o Shabat, ouvir o que os rabinos dizem sobre esse dia são coisas que me fazem questionar a fundo o que nós, católicos, fizemos com nosso dia santo. Começo por lembrar que Jesus guardou seus sábados. O fato de Ele ter curado alguns doentes em dia de sábado não significa que Ele tenha trabalhado propriamente e com isso avacalhado o sábado. Como sempre, o que Jesus fez não foi destruir a religião do seu povo, o povo judeu, mas questionar com suas palavras e posição pessoal o excesso de legalismo, o colocar as leis, normas e preceitos acima da misericórdia. É o que vemos nos Evangelhos. Aí chegamos nós, católicos, e reinterpretamos a lei judaica de tal forma que saímos do excesso de legalismo e chegamos ao extremo oposto, que é a aceitação de um modo de vida que não condiz com a pregação de Jesus e que exalta, entre outras coisas, o trabalho incessante. Chegamos ao ponto de ver pedreiros trabalhando num domingo, o dia do Senhor, para reformar uma escola católica, e de não ver nem em mosteiros um dia de descanso semanal. Aceitamos o não-parar ditado pelo modo de vida moderno. Tenho questionado muito isso ultimamente. Como li num livro, a frase “ele viveu para o trabalho” podia muito bem constar numa lápide de um burro de carga. Há uma diferença entre amar a própria profissão e trabalhar duro e viver para o trabalho e desleixar dos outros aspectos da vida. Infelizmente estamos perdendo a noção dessa diferença, e acho isso mais grave do que parece num primeiro momento.
Mas, voltando ao Cabalat Shabat, nada como os iluminados rebeldes que ousam ir contra o status quo. Graças a Deus o Alexandre Leone é um deles. Hoje, como da outra vez em que o papa foi internado, ele terminou o serviço com uma bênção pedindo saúde para o papa. Não bastasse isso, ainda contou uma historinha que andou circulando pela internet e que ilustrava como o papa é amigo dos judeus. Antes disso deu um belo puxão de orelha nos próprios judeus ao refletir sobre a passagem do bezerro de ouro e comentar que, às vezes, a idolatria não é adorar uma estátua, mas adorar qualquer outra coisa que pode parecer muito bonita mas que obviamente não é Deus. Um exemplo dessa idolatria seria estar disposto a matar e morrer para não ceder um palmo de terra da faixa de Gaza, e agir como se a terra fosse mais que qualquer vida. (!!!) É ou não é digno de aplausos? Se não pude aplaudir, porque não se aplaude dentro de uma sinagoga, pude me comover e chorar ao ouvir a bênção da saúde cantada pelo papa.
De resto, este Shabat está sendo o coroamento de uma bela semana: aniversário do meu querido Guto, amigo fiel e antigo de todas as horas, um exemplo de vitalidade e alegria; boa disposição da minha irmã; apresentação da banda de rock do amigo Maurício; possível emprego para uma amiga que merece muito; minha volta à terapia. Quanto a essa última, cenas dos próximos posts.
Escrito por Cris às 00h23
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Número perigoso
Acabei de ver meu blog e descobri que o número de acessos foi 666 até o momento. Comecei a considerar como seria difícil lidar com esse número se eu lesse o Apocalipse literalmente. Minha vida seria muito mais difícil, uma vez que eu carrego essa seqüência de números no meu CPF. :) Pior seria ainda se, além do Apocalipse, eu interpretasse literalmente também o Gênesis e tivesse que acreditar naquela cretina teoria criacionista que os americanos (eles, lógico) inventaram. Não que outros povos, o nosso principalmente, não sejam capazes de asneiras semelhantes -- ou ainda maiores. Mas cada povo tem seu jeito de ser cretino, e a teoria criacionista é típica baboseira americana, tanto no conteúdo como no jeito de se expressar. Enquanto não for copiada pelo povo daqui, a exemplo de outras baboseiras típicas, beleza. Podíamos copiar o lado inteligente dos americanos que, ao contrário do que George W. Bush leva a crer, existe. Mas preferimos, na maioria das vezes, ficar com o lixo. Enfim, são 2 e meia da madrugada e de repente me vejo entrando numa viagem sem pé nem cabeça só por causa do número 666. Melhor parar por aqui. :)
Escrito por Cris às 01h32
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