O primeiro nu
Terminadas as filmagens na FAAP fico só com a escola de cinema pra dar o gostinho. Os dias de aula têm sido os meus preferidos na semana. E hoje fiz uma coisa que eu havia decidido que ia evitar ao máximo na minha carreira de atriz: uma cena de nu (embora só da cintura pra cima). Tenho, é verdade, uma implicância geral com o nu em cinema e principalmente em teatro. Acho que, de uns tempos pra cá, as cenas de nu se banalizaram e são geralmente gratuitas. Acaba virando chamariz de público puro e simples, sem mais razão de ser. Mas com o roteiro que eu tinha nas mãos não tinha como me negar a fazê-lo, mesmo o diretor tendo dito que eu podia usar um biquíni se quisesse. A personagem que fiz hoje fica boa parte do filme (um curta) nua, e tem três cenas de sexo, mas tudo é absolutamente necessário, poético e mesmo transcendente. Quando a gente tem a sorte de topar com um roteiro de sensibilidade tão rara, faz o que ele pede. E, na verdade, me senti privilegiada de poder ter tido uma experiência que deve ser embaraçosa para a maioria das pessoas num contexto tão sutil: a cena tem o nu, mas não tem nada de sexual. E se tenho que ficar nervosa e sem graça, que seja na escola, não num set de filmagens. Acabou sendo bem mais fácil do que eu imaginava. Como fui a primeira voluntária, fiquei um pouco nervosa no começo, mas fui relaxando aos poucos. Acho que teria sido bem mais difícil pra mim fazer uma cena em que estivesse completamente vestida, mas tivesse que seduzir alguém. A parte mais difícil dessa cena não foi nem a nudez: foi o movimento interno, como diz meu “mestre”. Fiquei frustrada por ter me faltado tônus na única fala que eu tinha e por ter dado uns olhares com intenção errada. Ainda assim, como eu disse acima, melhor errar na escola do que num set de filmagens.
Escrito por Cris às 21h43
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