Eu NÃO mereço
Ora, ora, ora. Um homem casado que volta a dar em cima de mim depois de quase 4 anos era tudo de que eu NÃO precisava. Bom pra inflar o ego, ruim para a auto-estima, péssimo para a paciência. Explico a aparente contradição: ter um homem charmoso, educado, elegante e culto interessado na gente é sempre uma massagem no ego, mesmo que ele tenha uma aliança na mão esquerda. Mas é ruim para a auto-estima porque me faz sair daquele estado de "aceitação do meu eu pós conversa com padre Thomas" para voltar a me questionar por quê parece que eu só atraio os homens errados, e me sinto atraída por quem não me dá a mínima. Péssimo para a paciência porque provavelmente não vai demorar muito pra eu voltar a ter aquelas conversas ligeiramente "alteradas" que eu tenho com Deus de vez em quando, e porque é muito, muito desagradável ter alguém casado dando em cima da gente, mesmo que a gente só tenha dado negativas pra ele o tempo todo e que a "recaída" do cara só venha por email. Sinceramente, não entendo como tem mulher doida por um homem de aliança. Tenho amigos que me falaram que são mais cantados depois de casados do que quando solteiros. Acho o fim da picada.
Escrito por Cris às 22h16
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Semana de luto
A semana passada começou bem e terminou ótima, mas transcorreu em luto – por isso meu silêncio. Começou na minha casa espiritual, o Mosteiro de S. Bento em Vinhedo, onde encontrei meu guru número 1, padre Thomas (o segundo é meu diretor espiritual em SP, padre Smyda). Pra variar o que ele falou vai ficar guardado na minha memória e no meu coração por muito tempo. Acho que foi a primeira pessoa que falou coisas muito positivas sobre a minha vida afetiva neste ano de 2005, mas isso eu guardo pra mim. :)
Terça-feira foi que as bombas começaram a cair: a morte do meu professor Guilherme, o enfarte do meu tio Lenine e, finalmente, o assassinato brutal do Irmão Roger, criador da comunidade ecumênica de Taizé, que eu visitei em 2003. Tudo no mesmo dia. Irmão Roger... noventa anos, doente, mas com um olhar inesquecível, ele foi morto com três facadas no pescoço no meio de uma oração feita na Igreja da Reconciliação, na frente de 2.500 jovens. Obviamente minha quarta-feira foi passada no meio de uma sensação irreal, de que o mundo não era o mundo e eu não era eu. Pensava no Irmão Roger o tempo todo, não conseguia acreditar. Um mártir da reconciliação. Se eu tiver três pedidos pra postar o diário da minha estadia em Taizé (que consegue a proeza de ser mais longo que meus posts) eu o coloco aqui.
A semana foi passando e meu pai ficou um pouco doente, depois tentaram passar um golpe nele por telefone. Uma dica pra quem lê isto aqui: se ligarem dizendo que “você tem um dinheiro a receber” é roubada mesmo, não caia na tentação de acreditar nem por um minuto. Pra completar, a tia que é casada com meu tio Lenine, que passou o resto da semana na UTI pra se recuperar do enfarte (e já saiu, graças a Deus), tem Alzheimer, e tivemos que tirá-la de casa às pressas, pois ela não tem filhos e meu tio não tem mais condição de cuidar dela como fazia, pelo menos nos próximos meses. O pior é que nessas horas a gente testa a família e acaba tendo surpresas desagradáveis com relação a algumas pessoas, que se eximem da responsabilidade e não dão sequer um telefonema pra saber como estão os doentes. Foi a gota d’água que me fez, pela primeira vez durante essa semana de pesadelo, querer mandar alguém pra puta que pariu no sábado à noite.
Felizmente depois da raiva, já me preparando para deixar pra trás a semana de calvário, fui a um sarau na casa da meiga Aline no sábado à noite. Foi divertidíssimo, cheio de vida, de música, poesia e carinho: tudo de que eu precisava. Tive a alegria extra de encontrar minha querida turma de Campinas por lá, e no domingo saímos pra almoçar e repetir a dose do sorvete no vão livre do MASP. Desta vez, porém, era dia e fazia calor. :) Lucas, Hélder, Thaís, Karina e a elegantíssima francesinha Rosenn me fizeram encerrar a semana na mesma alegria com que havia começado. De brinde ainda ganhei muitos abraços, principalmente dos irmãos Ribeiro, que graças a Deus são bem pegajosos. :) Foi aí que vi o quanto estava necessitada deles. Foi o único gostinho amargo do meu domingo: perceber que estou precisando de muitos abraços mais e ter que ficar na vontade até visitar o povo lá em Campinas.
Escrito por Cris às 22h30
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