O noivado dos meus sonhos
Mal falei de um namoro que começou e já vou pulando para um noivado. Ainda bem que não é o meu. :) Ainda bem por muitos motivos, especialmente pela descrição da festa – à qual infelizmente não pude ir. Tenho certeza que eu teria me divertido horrores. Quem me falou dessa festa foi um grande amigo que encontrei no sábado passado. Nos vimos à tarde, e ele se despediu dizendo que precisava que ir embora porque tinha um programa muito fora de moda: uma festa de noivado. Em Mairiporã. Ou seja, ia dirigir 35 quilômetros pra ir a um programa de índio. Segundo ele o que dava mais preguiça não era nem ter que dirigir tanto, mas a certeza de que a festa ia selar um compromisso fadado a terminar em no máximo três meses, dada a imaturidade do casal. Detalhe: recebi hoje a notícia de que os noivos romperam na terça – não três meses, mas três DIAS depois. O relato da festa, no entanto, está tão engraçado que eu resolvi pedir autorização ao meu querido e dividi-lo com meus leitores. Divirtam-se.
Cris,
Não fique chateada com a minha ausência na sua festa de aniversário. Acabei exagerando na bebida no noivado - com autorização do Cláudio, que ia dirigir - e passei mal. Tô indisposto pra chuchu. Na verdade, não sei se o problema foi a bebida ou se foram os "comes". Num dado momento, para você ter idéia, passou um garçom carregando uma bandeja com uma porção de saquinhos brancos com umas pontas de pão aparecendo. Daí a pouco ele veio para mim e perguntou, com o mais genuíno sotaque mano-ZL: "Vai um lanche de carrrrne?". Isso para não mencionar a barrrrrquete de maionese e o canapé de pão de forrrrma com pasta de sarrrdinha. Credo...
O lugar era uma espécie de sítio destinado a eventos, mas com toda a espécie de cafonices que se pode supor. A começar por uma enorme gama de anões e outros enfeites no jardim (sapos, joaninhas e afins) espalhados pelo gramado. Volta e meia, com a marvada pinga na cabeça, eu achava que estávamos sendo invadidos por uma nave alienígeno-duende. O banheiro, apesar de relativamente limpo, tinha aquelas lindas descargas de parede, com um fiozinho ensebado de puxar, e, no lugar da pia, um tanque (isso mesmo, um tanque de lavar roupa). Além disso, tinha mesa de totó para a criançada que, óbvio, volta e meia abria o berreiro.
Antes que eu me esqueça, o refrigerante era Dolly e a trilha sonora era pagode. Uma turma de meninas simpáticas de 13/16 anos competia para ver quem sabia mais letras de cabeça, colaborando para o suplício auditivo.
Deixa eu parar de falar bobagem e ir ao que interessa: PARABÉNS!!! Muitas felicidades e todas aquelas coisas boas que todos nós desejamos. Vou ver se ligo para você amanhã para dar os pára-cheques ao vivo e, em seguida, quero marcar aquela balada que não se concretiza nunca.
Beijocas.
Escrito por Cris às 17h15
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Trinta e quatro!
Leitores, perdoem-me. Deixei passar em brancas nuvens a data em que este blog teria que, teoricamente, mudar de nome (como sugeriu o Mazinho): meu trigésimo quarto aniversário. A questão é que os trinta e três não são uma idade, são um estado de espírito. :) Como diria meu amigo Rodrigo Lara, por razões que só ele conhece, é a “idade da sabedoria”. Ou então, como ouvi anteriormente, “os bons ficam na idade de Cristo eternamente” – o que me obriga a ter um acesso odioso de falta de modéstia e me incluir no grupo. O fato é que os trinta e três serão sempre lembrados como um dos melhores anos da minha vida. Quem acompanhou minhas aventuras através deste blog há de concordar.
Vejamos: rodei meu primeiro filme. Estou traduzindo meu primeiro livro. Conheci pessoas maravilhosas e cultivei amizades antigas. Não que fosse um sonho com a mesma importância dos três primeiros, mas, vá lá: fui modelo de fotos, e algumas delas ficaram bonitas. Cresci espiritualmente. Finalmente, aos 44 do segundo tempo, marquei um golaço na minha vida afetiva e terminei o jogo comprometida com um homem maravilhoso, pelo qual tanto choraminguei em alguns posts passados, e é disso que vou falar.
Deus tem mesmo um grande senso de humor. Ele definitivamente ri às minhas custas, e eu acho isso ótimo. Na maior parte deste ano que passou rezei pedindo que Ele me desse um namorado. Aliás, isso eu venho pedindo faz tempo, mas de vários meses pra cá comecei a ter o desplante de pedir que Ele fizesse isso até o dia do meu aniversário. Não o deixei em paz em nenhuma missa ou terço. Pedi, insisti, bati o pé. Até que no dia 14 do mês passado tive aquele abençoado encontro com o padre Thomas no mosteiro de São Bento em Vinhedo. Lembro-me que, na primeira vez em que conversei com aquele santo homem, no início de 2002, falei da minha frustração com tudo o que não tinha acontecido como planejado em todos os âmbitos da minha vida, especialmente no afetivo. Ele me deu a receita de rezar fazendo atos de abandono a Deus, aceitando a vontade que Ele tivesse para mim na vida, mesmo que fosse ficar solteira. Custou muito fazer isso, mas eu repeti essa receita por um bom tempo, até que comecei a namorar. O relacionamento foi frustrante e acabou há dois anos e meio atrás. Quando reencontrei o padre Thomas agora falei do que ele havia me recomendado e de quanto era difícil pra mim seguir aquela receita. Disse também que meu grau de ansiedade em relação à minha solteirice era maior do que eu estava disposta a aceitar, apesar de ter diminuído muito com o passar do tempo. Pedi que orasse por mim nesse sentido. Foi quando ele me disse que a “receita” dele visava justamente a trabalhar a ansiedade. Ainda consigo vê-lo conversando comigo, o rosto dele, a entonação da voz, dizendo que conhecia várias mulheres nos Estados Unidos na mesma situação que eu. “Só numa primeira leva já vêm cinco à minha cabeça”, ele disse. Todas na casa dos trinta, sozinhas e ansiosas com o relógio biológico que não pára de fazer tique-taque. Todas muito atraentes, inteligentes, boas pessoas. “Como homem não consigo ver por quê vocês ainda estão solteiras”, disse ele com a liberdade que só os santos têm. O maior problema dessas mulheres – e também o meu – na opinião dele era a ansiedade. A ansiedade cega, amarra e tira de uma mulher a sua capacidade natural de farejar o homem certo. Na opinião dele achar a pessoa certa não é tão-somente obra do Espírito Santo, mas tem muito a ver com o instinto. Finalmente ele me disse: “Eu sinceramente consigo imaginar você casada, muito bem casada, constituindo uma família. Mas o abandono é necessário para devolver o seu centro. Lembre das vezes em que você tentou atuar como atriz de forma perfeita: com certeza isso só atrapalhou sua atuação, porque não deixou espaço para o instinto. O mesmo acontece com a sua afetividade. Deus quer a sua felicidade muito mais do que você própria, e você pode abrir o coração pra Ele e falar do seu desejo, mas deixe espaço para Ele realizar o Dele. Mais pra frente, se você continuar sozinha, vai saber exatamente o porquê.”
Não sei se foi o jeito dele falar, se foi o fato de ele ter intercedido por mim. O que sei é que, daquele momento em diante, o abandono deixou de ser só um exercício da vontade para virar uma confiança interior. Pela primeira vez na vida, dizia pra Deus: “o que você quiser está bom, seja a vida de solteira ou a vida de casada” com toda a alegria do mundo. Reiterei mil vezes a minha confiança no amor Dele. Louvei, agradeci por não só querer sentir aquela confiança, mas por finalmente senti-la. Aproveitei e falei pra Ele que, caso Ele quisesse colocar alguém na minha vida, que me esperasse terminar a tradução do livro. Afinal, pra quem já esperou trinta e três anos, alguns meses a mais ou a menos não fariam diferença. :) Mas é claro que Ele não deixa nada barato, e eis que menos de um mês depois daquela abençoada conversa entrou alguém na minha vida.
Mal notei ele chegar. Quando nos vimos pela primeira vez não fomos apresentados e eu nem me preocupei em perguntar quem era, como se chamava, o que fazia. Vi a Thaís fazer massagem nos ombros dele no bar em que estávamos com um grupo enorme de pessoas e ficou por isso mesmo. Só no dia seguinte, quando nos encontramos na missa e ele nos acompanhou para um café é que pudemos conversar e eu percebi que tinha conhecido alguém muito especial. Não sei exatamente como as conversas e os encontros foram ficando um pouco mais freqüentes e não sei dizer quem se interessou por quem primeiro. Quando vi estava conquistada e tinha voltado aos treze anos antes de passar para os trinta e quatro. Tinha taquicardia a cada mensagem de texto que recebia no celular, perdia a concentração duas mil vezes por dia no meio da tradução, corava ao conversar pelo telefone e não conseguia reduzir a conversa a um tempo civilizado. Aliás, todos estes sintomas continuam. :) Paixão estressa. Diante desse quadro grave mandei a responsabilidade pro espaço dois dias antes do meu aniversário, abandonei a tradução num ponto crítico na sexta-feira passada e pedi pra ele faltar na faculdade pra sair comigo, tendo todo tipo de segundas intenções no coração, que graças a Deus eram compartilhadas por ele. E assim começo os trinta e quatro livre da solteirice, mas sem querer pensar nos trinta e cinco nem no que vem depois. Estou muito, muito feliz agora e é isso que importa. Mais legal ainda: ESTAMOS felizes. O resto é lucro.
Escrito por Cris às 00h27
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