Rodrigo
Meu querido namorado, ontem, teve um lapso de insensatez e começou a discutir a “racionalidade” (ou falta dela) no fato de eu gostar dele. Uma das coisas mais legais que já se disse sobre isso foi “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?” (“Eduardo e Mônica”, da Legião Urbana, para quem não se lembra). Algumas coisas do coração são mesmo inexplicáveis, pelo menos no nível racional. Mas discordo totalmente daquela história de o amor ser cego. A gente ama ou deixa de amar por motivos concretos, e tenho muitos deles para amar o Rodrigo. Sei que ele ficaria sem graça se eu dissesse isso pra ele pessoalmente, então vou poupá-lo do constrangimento e escrever aqui os meus motivos com muito alarde pra todo mundo ler e depois mexer com ele quando o encontrar. ;)
Aliás, posso começar a minha lista justamente por aqui: amo a discrição do Rô. Nunca o vi fazer alarde de nada. Ele é o tipo da pessoa que faz o que tem que ser feito com carinho, da melhor forma possível – ele é exigente – para cumprir a sua tarefa, não para ser coroado de louros. Uma vez eu disse que ele é minha estrela, mas ele não sabe quanto brilha. Isso o deixa ainda mais encantador. Certo dia eu estava conversando com um amigo sobre conceitos de beleza, e ele me disse que as mulheres que ele acha mais bonitas são aquelas que não tem noção da própria beleza. É exatamente o que acontece com o Rodrigo. Ele não tem a menor idéia de que existem poucos, muito poucos como ele, e que é muuuuuito difícil encontrar em outras pessoas as qualidades que ele tem. Isso o deixa ainda mais bonito, se bem que tem um lado negativo: às vezes ele acaba não confiando muito no próprio taco e demora mais para brilhar.
Paradoxalmente, além de ser uma estrela, o Rô é uma sombra. Eu, que adoro uma praia bem ensolarada, sei quanto valor existe na sombra que abriga. Se não fosse por ela eu jamais conseguiria ficar numa praia por mais de cinco minutos sem pegar uma queimadura e passar mal de calor. É o que eu tenho certeza que a maioria das pessoas sente quando está com o Rodrigo: ele sabe acolher e dar carinho. É gentil. É educado. Presta atenção para ver se as pessoas ao redor dele estão bem. Se compadece. Sente a dor dos outros, sente pelos amigos que não estão bem, quer ajudar. Não levanta a voz. Sabe escutar como poucos. Sabe guardar um segredo. Cultiva as amizades, faz delas um santuário. Vejo que nele o espaço dos amigos é um espaço sagrado. É o que eu posso chamar sem medo de “um homem bom”. E sabe cuidar como poucos: anda do lado de fora da calçada, abre a porta do carro, presenteia com flores. :) Mas também sabe ser cuidado, o que é tão importante quanto saber cuidar.
Também admiro muito a ética que ele tem, a absoluta correção, a busca incessante da coerência e da retidão, o quanto é trabalhador. Amo a inteligência, o senso de humor dele, os gostos bizarros que ele tem para música e cinema. Acho o máximo ele buscar coisas experimentais e meio fora dos padrões, sempre por uma necessidade autêntica e nunca para fazer pose. Amo aqueles olhos carinhosos e o sorriso calmo. Adoro ver como ele sabe ser sério quando precisa, mas ao mesmo tempo se diverte fácil.
Fora isso, naquilo que me afeta mais diretamente, é perfeita a confiança que ele tem em mim e o carinho que não é grude. Adoro vê-lo se divertindo com outras pessoas quando estamos os dois numa festa, e sentir o seu carinho de longe, sem ser controlada ou tolhida. Sou querida, admirada, profundamente respeitada nas coisas que faço. Não podia querer mais. Portanto, não dá mesmo pra dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração. É simples: sou muito abençoada. Te amo, Rô.
Escrito por Cris às 22h23
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