A estréia
Já faz uma semana, mas tenho boas justificativas para o atraso: fiquei ruim da garganta (pra variar) e depois fui para Vinhedo por três dias. Mas o fato é que na quinta passada fiz minha estréia como intérprete simultânea em cabine num evento. Para quem não sabe o que é uma intérprete simultânea, é vulgarmente chamada de "tradutora simultânea": aquela tiazinha que fica numa cabine falando em português num congresso enquanto o palestrante fala numa língua estrangeira. É claro que podem ser "tiozinhos" também, mas a presença das mulheres na área é dominante. O público escuta a tradução em fones de ouvido. O nome "tradução" é tecnicamente errado porque a tradução é escrita e a interpretação é oral ou em linguagem de sinais, mas acho que vocês sabem do que eu estou falando.
Então: estava bela e formosa na minha casa na quarta-feira à noite trabalhando ao computador quando me liga uma colega perguntando: "Cris, você tá livre amanhã à tarde, não?" Por acaso eu estava. Ela então me chamou para fazer um evento com ela em São Caetano no dia seguinte à tarde. Era uma palestra sobre um software de gestão que seria dada em inglês por dois americanos. Num rompante de loucura eu aceitei, pois não tinha estudado o vocabulário e não entendo lhufas de informática. Depois disso fui para a minha reunião de meditação, certa de que depois dela teria uma noite em claro de ansiedade. Mas não é que a meditação funcionou? Dormi feito uma criança. Acordei com a garganta detonada e tendo certeza de que meu trabalho seria um desastre, mas estava surpreendentemente tranqüila. Minha colega também, tamanha era a confiança dela no meu trabalho, coisa que nem eu mesma tinha. Tive tempo de estudar por cima um glossário de termos técnicos que os organizadores do evento nos mandaram e contei com a ajuda muito profissional e gentilíssima da minha colega Cida. E no fim saiu tudo muito bem, com exceção da parte final do evento em que os caras falavam informatiquês puro. Eu tinha a nítida impressão de que estava ouvindo outra língua desconhecida, tipo chinês. A sorte é que neste assunto a gente pode arriscar deixar as coisas em inglês quando não sabe uma tradução. E foi assim que, na meia hora final do evento, traduzi certos termos de inglês para inglês com a maior classe, fazendo cara de paisagem e tudo. Mas o evento serviu para me dar confiança e provar para mim mesma que estou muito mais bem preparada que eu própria imaginava para esse tipo de trabalho. Acho, aliás, que daí pode sair uma lição pra quase todo mundo: a gente deve aprender a confiar mais no próprio taco. E que venham outros trampos!
Escrito por Cris às 21h30
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