666: encerrando o assunto
Este é o post que escrevi na sexta-feira retrasada e o UOL apagou. Resolvi falar sério sobre o simbolismo do número 666 e aproveitar para, mais uma vez, bater na mesmíssima tecla da leitura crítica (e orante) da Bíblia.
Nosso Deus, fonte de toda a sabedoria, nos criou com grande inteligência e alta capacidade de abstração e arte. Que maravilha! Não fosse, entre outras coisas, nossa capacidade para fazer metáforas e ler nas entrelinhas, seríamos quase como nossos amigos chimpanzés. Levando em conta esta capacidade que nos faz mais semelhantes a Ele, Deus com certeza resolveu encher a Bíblia de linguagem metafórica. Nada de dar tudo mastigado na boquinha: Ele quer seus filhos adultos, com alta capacidade de discernimento. Fora isso, usou como instrumento para nos falar pessoas iguais a nós, pertencentes a uma cultura particular na história, com suas limitações.
O Apocalipse de São João é dos exemplos mais bem-acabados disso que estou citando. É um desfile requintadíssimo de imagens, metáforas e linguagem indireta. E a menção ao número 666, o "número da besta", com certeza se encaixa neste cenário. Como já disse no post anterior, desde que o Apocalipse foi escrito que todo mundo tá louco pra descobrir quem é a besta. Quem lê o livro levando em consideração o seu contexto em geral chega ao nome de Nero, imperador romano que perseguiu os primeiros cristãos de forma sanguinária. Já as outras leituras chegam a qualquer nome. Literalmente. Dependendo dos valores atribuídos a cada letra e ao cálculo usado para somá-las, subtraí-las, dividi-las ou multiplicá-las, já se chegou a resultados um mais absurdo que o outro. Meu preferido é o que chegou ao próprio Jesus Cristo.
Por isso não tenho escrúpulos de fazer a brincadeirinha que fiz com meu CPF no post anterior. Certas interpretações da Bíblia são mais risíveis que aquele post, com a diferença de que também são trágicas. Muitas delas levam certos presidentes de QI abaixo da crítica a declarar "guerras preventivas" contra certos países e ainda clamar que Deus está a seu lado. Chego até a quase desdizer o que disse anteriormente e imaginar se os exegetas não erraram de interpretação: quem sabe 666 seja a soma das letras B-U-S-H. Aquele sim é uma besta de respeito. E assunto encerrado que este 666 já cansou.
Escrito por Cris às 22h41
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Abaixo o Dia dos Namorados
Aposto que muita gente vai estranhar este post. Afinal, uma romântica como eu devia estar arrulhando neste dia, comendo um fondue à luz de velas ou coisa que o valha. Mas não se deve esquecer que a rebelde dentro de mim às vezes fala mais alto. Como diz meu amado Rodrigo, "Cris, você gosta de causar, hein?"
O Rodrigo continua, sim, sendo meu amado e meu namorado. Graças a Deus. Dou este "graças a Deus" todos os dias por ele. Só que estou revoltada com o bombardeio desta data. Ao contrário do "Valentine's Day" europeu e norte-americano, não tem fundo religioso ou cultural. Foi criada no Brasil pelo comércio, não por acaso no insosso mês de junho (em termos comerciais) que não tinha nada pra vender. Afinal, ter alguma comemoração em fevereiro no país do carnaval é pedir pra morrer à míngua. Também ao contrário do Valentine's Day, não contempla os solteiros, divorciados, viúvos e afins. No Valentine's Day se declara amor também aos familiares, melhores amigos e outras pessoas queridas. Mas aqui se excluem todas as categorias além de "pares românticos". E se passa por cima dos solteiros que queriam estar acompanhados e dos muitos que levaram pés na bunda. Quem chamou a atenção para isso foi a minha irmã quando, um mês atrás, começou o bombardeio logo depois do Dia das Mães. "Ah, meu Deus, agora vamos ter que agüentar essa overdose de 'Dia dos Namorados' por um mês." É verdade que não enche mais do que os outros bombardeios: Dia das Mães, Dia dos Pais, Copa, Natal, etc. Mas, por ser tão excludente, ainda mais numa sociedade em que as pessoas têm tido tantos problemas nas relações afetivas, incomoda mais.
Diante disso, conversei com o Rodrigo e topamos fazer um boicote conjunto. Nada de comprar presentes de preços inflacionados. Nada de enfrentar filas gigantescas para um jantar romântico fora de casa. Cinema também não vai dar, apesar de ser a melhor opção pra hoje. Não tenho idéia de como funciona este segmento, mas se bobear até os motéis têm fila de espera hoje. Vamos comemorar amanhã, passado o frenesi, no dia de Santo Antônio -- isso sim, pra nós católicos vale a pena. E até lá vou tentar pensar em alguma coisa que fuja da mesmice. Nem que seja jantar acompanhado de missa.
Escrito por Cris às 19h52
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