Golpe do gringo II - o quase-retorno e a quase-vingança
Ora, ora. Apenas uma semana depois do golpe do gringo norte-americano, estávamos eu, o Rodrigo e o querido Estêvão a um quarteirão da minha casa quando aparece... surpresa! um gringo que havia sido assaltado a mão armada por dois pivetes que tinham roubado tudo dele, e que precisava de dinheiro para um hotel etc etc etc. Esse era sul-africano e andava por aí com um B.O. praticamente puído de tanto uso, mas que ele dizia ter sido feito naquela noite. A data que eu vi, porém, era de 27 de agosto, quase 15 dias antes. Chegava mostrando o B.O., gesticulando muito, dizendo que precisaria de qualquer "contribution". O Estêvão foi quase dando dinheiro quando eu disse, em português, que na semana anterior tinha caído na mesma história. Segundo o Rodrigo a expressão do cara mudou e ele não reclamou muito depois de nós o despacharmos.
Não foi um "retorno" completo nem uma "vingança" completa porque não foi o mesmo gringo, mas vai saber se os dois não eram da mesma quadrilha. O que sei é que a aluna de um colega meu passou pela mesma situação no próprio sábado à noite, e um outro amigo com quem comentamos o ocorrido, o Robson, disse ter encontrado o mesmo sem-vergonha sul-africano na Av. Angélica, seis meses antes, com a mesma história. O pobre do Robson só não ajudou porque estava pobre mesmo, sem unzinho na carteira. Mas ficou morrendo de dó do coitado do gringo, um desvalido que não conhecia ninguém aqui e tinha passado por uma situação de violência num país estrangeiro. Rezou pelo gringo e foi até a própria casa tentar achar dinheiro pra voltar à Av. Angélica e ajudar aquele irmão sul-africano desprotegido. Deus poupou o Robson do dissabor de encontrá-lo.
É, acho bom os gringos aproveitarem enquanto esse golpe ainda é um tanto desconhecido porque, pelo ritmo da coisa, daqui a pouco vai ser tão comum quanto ambulante vendendo goiabinha em ônibus. A diferença é que vender goiabinha em ônibus é um trabalho digno como qualquer outro, provavelmente o último recurso de um desempregado que não tem o luxo de ir aplicar golpes no estrangeiro. Mas no que depender de mim e do meu uso da internet, o golpe dos gringos sem-vergonhas vai ficar tão conhecido que eles vão ser obrigados a voltar a seus respectivos países sem um tostão no bolso e -- horror dos horrores -- trabalhar pra ganhar a vida.
Escrito por Cris às 22h13
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